
A convenção mudou. Você sabe quais contratos precisam de revisão?
Quando uma nova convenção coletiva altera custos de pessoal, a reação pode ser abrir todas as planilhas e procurar um percentual. Eu começaria por outra pergunta: qual premissa de cada proposta foi afetada? Sem a versão original, o reajuste de contratos vira uma discussão de índice, não de premissas.
O termo “dissídio” aparece com frequência no dia a dia das prestadoras, embora a análise possa envolver convenção, acordo coletivo ou outra decisão aplicável. A empresa precisa identificar o instrumento correto, sua abrangência e vigência. O serviço oficial de consulta de instrumentos coletivos permite localizar registros; a interpretação deve ser conferida com RH, contabilidade e assessoria jurídica.
Este texto não estabelece direito automático a um percentual de reajuste contratual. O efeito sobre preço depende da composição do custo, das cláusulas, da documentação e da negociação com o cliente. Alteração trabalhista e reajuste comercial são etapas relacionadas, mas distintas.
Quais premissas entram no reajuste de contratos?
Primeiro, localize a proposta válida e o contrato assinado. Qual função, jornada, quantidade de postos, benefícios e encargos foram considerados? Qual instrumento coletivo serviu de referência? Houve aditivos desde então? Se a empresa não consegue responder, reconstrua a base antes de enviar qualquer nova tabela ao cliente.
Depois, identifique o que efetivamente mudou. Remuneração, benefícios, regras específicas ou outra condição? Não aplique um percentual único sobre todo o contrato por conveniência. Materiais e equipamentos, por exemplo, podem obedecer a outras premissas. A composição de custos do posto ajuda a separar os componentes.
Por último, confira a cláusula de reajuste ou repactuação e o procedimento de comunicação. Há documentos exigidos, prazos ou forma específica de demonstrar a variação? Em contratos públicos, privados e diferentes segmentos, as condições podem mudar bastante. Eu pediria à área jurídica que revisasse a fundamentação antes de protocolar um pedido.
Um fluxo de revisão que evita perder o histórico
#1 Confirme o instrumento e a abrangência
Consulte o Mediador do MTE e valide categoria, território, vigência e regras que atingem a equipe. Não use a convenção de outro município porque ela parece semelhante. Se houver dúvida sobre enquadramento, deixe a análise com quem tem responsabilidade técnica.
#2 Abra a versão do orçamento
Compare as premissas registradas na proposta com a execução atual. Um contrato pode ter mudado número de postos, turno ou materiais ao longo do tempo. Misturar a mudança do instrumento coletivo com uma alteração operacional antiga atrapalha a conversa com o cliente.
Numa entrevista usada como base para nossa pauta, uma prestadora contou que havia tantas planilhas pessoais que, com a saída de uma colaboradora, ninguém conseguia continuar os controles. Não foi um relato específico de reajuste. Mas ele ajuda a lembrar por que a origem de cada premissa precisa sobreviver à troca de pessoas.
#3 Separe a variação por componente
Faça uma matriz com valor anterior, base nova, fonte e data de efeito de cada componente afetado. Se algum valor é estimado, marque como estimativa. Se depende de validação contábil, indique o responsável. Não esconda uma lacuna sob um total fechado: ela voltará na negociação.
#4 Prepare o pedido contratual
Com os números revisados, verifique as cláusulas, os documentos necessários e a forma de apresentar o pedido. O valor devido à equipe não deve depender da resposta comercial do cliente. A empresa precisa cumprir suas obrigações trabalhistas e tratar a relação contratual no canal próprio.
O acompanhamento de contratos deve registrar quando o pedido foi enviado, o que foi aceito, o que ficou pendente e a partir de quando uma decisão vale. Uma troca de mensagens sem versão consolidada pode gerar conflito meses depois.
Matriz de premissas para adaptar
CONTRATO E VERSÃO DA PROPOSTA: [identificação]
INSTRUMENTO COLETIVO: [fonte, abrangência, vigência]
COMPONENTE AFETADO: [salário, benefício ou outra condição]
BASE ANTERIOR: [valor e origem]
BASE REVISADA: [valor e origem]
DATA DE EFEITO: [conferida pelo responsável]
VALIDAÇÃO TÉCNICA: [RH, contabilidade ou jurídico]
CLÁUSULA CONTRATUAL: [referência]
DOCUMENTO DE NEGOCIAÇÃO: [pedido e resposta]
PRÓXIMA AÇÃO: [responsável e prazo]
Eu acrescentaria uma coluna de status: confirmado, pendente ou contestado. Assim, o gestor vê onde há número confiável e onde ainda falta documento. Calma... não é preciso transformar a revisão em um processo infinito. O essencial é separar fato, cálculo e decisão.
E se o cliente ainda não responder ao pedido?
Mantenha duas linhas de acompanhamento. A primeira é interna: quais obrigações e custos já mudaram, quem validou cada valor e como a empresa está tratando o impacto. A segunda é contratual: quando o pedido foi apresentado, quais documentos acompanharam a proposta e qual resposta veio do cliente. Não faça uma depender da outra para existir.
Se o cliente contestar uma premissa, peça que a divergência seja identificada. É o instrumento coletivo? A quantidade de postos? A data de vigência? Ou uma cláusula do contrato? Uma contestação genérica do valor final não permite corrigir a conta. Já uma objeção específica orienta a revisão.
Eu também registraria a versão negociada. Uma planilha enviada por e-mail, outra apresentada em reunião e uma terceira usada no faturamento podem gerar três histórias diferentes para o mesmo contrato. A versão aprovada precisa ser localizável pela operação e pelo financeiro.
Quando revisar de novo?
Não espere necessariamente a próxima convenção. Uma alteração de escopo, turno, posto ou material pode exigir outra revisão por motivo distinto. Separe cada evento no histórico e compare o resultado com a base correta. Assim, você não atribui à mudança salarial um custo que apareceu porque o cliente ampliou o serviço.
Ao fim da negociação, marque uma data para conferir a primeira cobrança sob as condições novas. O acordo pode estar correto no documento e errado na execução se o faturamento seguir a versão antiga. Essa conferência é pequena, mas fecha o caminho entre análise, decisão e valor apresentado ao cliente.
Como o KOI pode apoiar a organização?
O Sistema KOI reúne módulos de custos e orçamento, contratos e faturamento que podem ser avaliados nesse fluxo. Não presuma que uma nova convenção atualiza sozinha todas as propostas ou emite automaticamente um reajuste. Peça à equipe uma demonstração com um contrato real, sem dados sigilosos, e verifique como consultar premissas e registrar a nova condição.
Hoje, se a convenção aplicável mudar, quanto tempo sua equipe leva para localizar os contratos e a origem dos valores? Se a resposta for “depende de quem fez a planilha”, fale com o KOI sobre como organizar essa revisão.
Qual é a sua opinião? Eu começaria pela proposta mais antiga... Ela ainda mostra de onde veio cada custo?
